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Doutrina não importa! Seria isto verdade?


Introdução

O mundo possui hoje cerca de 2,1 bilhões de cristãos 1. Estes se subdividem em milhares de denominações e filosofias diversas. As que predominam são a Igreja Católica e as Igrejas Protestantes (ou Evangélicas). Estima-se que no Brasil as estatísticas sejam as seguintes2:

  • Católica Apostólica Romana: 73,55%,
  • Sem religião: 7,35%,
  • Igreja Evangélica Assembléia de Deus: 4,89%,
  • Igreja Evangélica Batista: 1,73%
  • Igreja Congregacional do Brasil: 1,46%
  • Espírita, kardecista: 1,32%
  • Igreja Universal do Reino de Deus: 1,24%
  • Outras igrejas evangélicas pentecostais: 0,89%
  • Igreja Evangelho Quadrangular: 0,77%
  • Igreja Adventista do Sétimo Dia: 0,67%

O que certamente intriga toda pessoa que se esforça para ser isenta em suas análises e reflexões é: por que tantas diferenças entre estas igrejas se todas elas alegam se basear na mesma fonte, ou seja, a Bíblia?

Embora não seja objeto deste artigo, este problema também se manifesta entre outras vertentes religiosas predominantes no oriente como, por exemplo, entre os Muçulmanos. Isto mostra que este não é um problema só dos ocidentais, é um problema da raça humana. Esta é uma situação angustiosa que muitos  passam em algum momento da vida e, diante deste dilema, cada um tem uma atitude.

Através de uma análise do desenvolvimento histórico do cristianismo, principalmente analisando a fase mais importante delas, A Reforma Protestante, podemos perceber o surgimento de dois grupos: os Conformadores e os Inconformadores (trata-se de uma alusão bem humorada que será explicada abaixo). Fique á vontade para usar a nomenclatura que desejar (Covardes e Corajosos, Fiéis e Infiéis, Verdadeiros e Falsos, etc). Eu não adotei este tipo de nomenclatura porque não desejo que o preconceito impeça algumas pessoas de continuarem a ler este artigo.


Os Conformadores

Os Conformadores são os filhos históricos da Reforma que criaram teorias onde pudessem tornar sua situação mais cômoda. Formulam ideias de que, em certos pontos, é possível a contradição nas conclusões sobre vários temas escriturísticos, desde que estas diferenças não se desviem de certos eixos principais. Neste grupo estão a grande maioria das igrejas evangélicas. Somente aqueles grupos religiosos que se desviam destes pontos centrais são considerados como pseudo-cristãos ou seitas. Esta situação se dá em função da ligação dos evangélicos com a Reforma Protestante, daí o nome Conformadores (uma junção dos nomes conformados + reformadores).

Como a Reforma Protestante surgiu em vários lugares da Europa, tendo cada uma delas um líder diferente, com uma nova verdade em descoberta (lembrem-se que as coisas não evoluíam na velocidade de hoje), é natural que houvessem diferenças conceituais em vários pontos, até porque, o acesso a Bíblia era bastante limitado. Contudo, na medida em que o tempo foi passando, que a reforma foi favorecendo o acesso às escrituras, era de se esperar que essa unidade em torno dos conceitos bíblicos fosse se aglutinando e, com isso, aumentando a formação do corpo cristão. Mas como sabemos, não foi o isso que ocorreu.

Cada grupo que ser formou gravitou em torna da verdade levantada pelo seu líder e não avançou no processo que o próprio líder começou. Deus certamente levantou a Reforma Protestante para libertar o mundo da opressão religiosa (trevas espirituais) em que estava inserido, contudo, os servos de Deus que se seguiram a estes mártires não prosseguiram com seu trabalho. Se uma nova luz surgisse através de outro reformador ela era descartada, uma vez que o pai deste movimento, ou não falou nada sobre o assunto, ou falava de forma diferente. Em várias partes do mundo Deus foi levantando homens sinceros que, dentro dos recursos, circunstâncias e condições disponíveis, eram guiados a novos faixos de luz provenientes das escrituras, mas o resultado disso tudo, para a tristeza de Deus, foi o surgimento do que eu chamo de “O Supermercado da Fé”.

A Reforma Protestante foi decisiva para o estabelecimento da migração entre a economia agrícola para a economia capitalista (ou industrial). Infelizmente, a religião, com o tempo, foi se tornando mais um ítem deste novo modelo econômico. Cada pessoa poderia sair de casa e encontrar o sabor que quisesse da fé. Luteranos, Anglicanos, Wesleyanos, Calvinistas, e muitos outros “anos” e “istas” foram se formando. A variedade começou a ficar imensa. A cada discordância, uma nova igreja surgia. O espírito que se sucedeu a Reforma não foi o mesmo de seus fundadores. Daí a criação de uma nova categoria, a dos “Conformadores”. O desconforto gerado pelas mudanças e descobertas feitas pelos Reformadores tinha que acabar. Já imaginou, ter sempre que fazer uma mudança a cada nova verdade de Deus que aparecia. A idéia de ficar estudando, debatendo, estudando, orando, mudando, estudando, debatendo, orando e mudando pelo resto da vida parecia insuportável. Isso sem dúvida “parece” desgastante demais (veja que está entre aspas). E, até certo, ponto é desgastante. É perfeitamente compreensível este drama e a postura que tomaram, contudo, este é um processo necessário e o resultado por negligenciar isto não foi o desejado por Deus.

Para não fazer da Reforma Protestante uma nova guerra de conceitos e idéias que pudessem até gerar novos conflitos de guerra (alguns seguidores de Lutero chegaram a este ponto e mataram seus opositores), as igrejas protestantes formularam um conceito para a paz e aceitação mútua que citei no início deste artigo: “desde que estas diferenças não se desviem de certos eixos principais”, uma nova igreja será aceita pelas demais como igreja Cristã.

Com o objetivo dar ares de unidade teológica sem ter que mudar nada em seus conceitos doutrinários, por volta do século 19 d.C as igrejas protestantes começaram a se organizar em cooperativas interdenominacionais, promovendo o respeito e cooperação, principalmente em áreas de assistência social 3. O resultado final foi a criação do O Conselho Mundial de Igrejas 4. Este é o maior órgão ecumênico da atualidade. Atualmente são mais de 340 igrejas e denominações 5.

A desculpa é sempre a mesma:”vamos deixar nossas diferenças de lado e vamos nos unir em torno daquilo que temos em ‘comum'”. Na verdade, se o que existe de “comum” também for olhado nos detalhes, qualquer pessoa perceberá que as idéias não são tão “comuns” assim. Existe um velho ditado que diz: “o diabo mora nos detalhes”. Isto é uma verdade verdade no sentido de que a maioria das pessoas não dá atenção aos detalhes. Logo, ele fica à vontade para trabalhar nesta área. O que existe de “comum” mesmo é apenas o desejo de não ter que sair de onde está. De não ter que rever nada. De não ter que mudar nada. De não ter que reavaliar nada. Este é o grande dilema gerado pela maioria dos filhos da Reforma Protestante e, certamente, ele está longe de acabar.

Um boa forma de comprovar o que estou dizendo (a falta de harmonia mesmo nos pontos que dizem ser comuns) é comprar toda a série denominada “Coleção Debates Teológicos”, de Stanley Gundry. Os temas que conheço são: “A Lei e o Evangelho”, “Os Dons Espirituais” e “O Milênio”. Esta série apresenta uma sequência de debates entre renomados teólogos que apresentam seus pontos de vistas sobre assuntos de teologia.

Os Inconformadores

A forma descritiva do primeiro grupo foi proposital. Agora você pensaria:”estes agora devem ser, então ,o grupo dos sinceros servos de Deus”. A resposta é não. Deus tem sinceros seguidores em ambos os grupos. Na verdade, ambos  cometeram, historicamente, o mesmo erro de se fecharem em suas tradicionais verdades . A única diferença está na forma como eles enxergam a verdade bíblica e sua relação com as demais igrejas. O Inconformadores se caracterizam por aqueles grupos religiosos que não aceitam a idéia de que a verdade bíblica permita diferenças tão discrepantes como as encontradas entre os Conformadores, de tal forma que não se permitem misturar com aqueles que pensam diferentes deles em todos os pontos. Permanecem fechados ao diálogo com os outros grupos religiosos e não participam de organizações ecumênicas de tal forma a evitar uma contaminação doutrinária. Outra importante característica é a de que normalmente se enxergam como o povo escolhido por Deus para proclamar a verdade que possuem e que as outras religiões devem aceitar sua visão sobre cada ponto que conhecem das escrituras. Este grupo tem diferenças entre seus membros apenas no grau de rigor a que levam esta separação com as outras religiões.

A situação Atual dos Conformadores, dos Inconformadores e os “Neo-Inconformadores”

A moda no meio acadêmico hoje é colocar a palavra “Neo” na frente de tudo aquilo que eles não sabem definir bem. É uma forma erudita de dizer que não sabe enquadrar em algum grupo o que vai escrever. Como não sou diferente dos acadêmicos ou eruditos (nem me considero um e nem estou escrevendo este artigo preocupado com isso) eu também não sei definir um nome apropriado para a nova geração dos Inconformadores, por isso coloquei o “Neo” na frente.

Os Conformadores continuam cada vez mais conformados, mais unidos e mais diferentes entre si. Como disse, embora pareçam  ser unidos em pontos comuns, na prática não são. Apenas os Inconformadores passaram por mudanças, gerando o que chamei de “Neo-Inconformadores”. Na prática, o que gerou a mudança foi na forma como estes grupos se relacionam com as outras religiões e sua doutrina. Em sua origem eram mais sectaristas. Hoje alguns estão bem menos sectaristas. Contudo, nenhuma mudança de comportamento vem sem uma mudança de conceito. São os conceitos que determinam os comportamentos. Quando falo “conceito” traduza para “teologia ou doutrina”. Ou seja, os “Neo-Inconformadores” tiveram, sim, que mudar alguns pensamentos teológicos para poderem se aproximar mais das outras denominações e também não comprometer seu crescimento dentro do contexto atual do mundo. Os que permaneceram fiéis Inconformadores não cresceram tanto quanto quando os Neo-Inconformadores. Como o crescimento em número de fiéis se tornou o principal critério usado para saber se uma obra é de Deus ou não (tudo por causa do texto de Atos 5:34 a 39), muitos destes grupo cederam à pressão e comprometeram seus princípios.

Revelando as intenções

Vocês estão percebendo que estou tomando o cuidado de não citar nenhum nome denominacional ao descrever estes grupos. Na verdade, meu sincero desejo é combater o anseio humano de respostas prontas. Na boa intenção de facilitar a vida das pessoas sobre determinadas coisas nós acostumamos elas mal. e até as prejudicamos. No mundo empresarial é assim: “O avô constrói, porque se sacrificou. O filho, às vezes, conserva quando  o pai teve o cuidado de envolvê-lo no sacrifício que fez. Agora, os netos, quase sempre destroem tudo, pois os pais facilitam tanto a vida deles que não sabem dar valor ao que tem”. O que eu quero é que você faça uma análise sincera da sua situação, da sua igreja e que reflita seriamente sobre sua postura.

De quem é a postura correta?

Para responder a esta pergunta é necessário responder a outra: há ou não abertura na Bíblia para que aceitemos diferenças de pensamentos entre os servos de Deus? Sem um pingo sequer de esforço verifique com seu pastor, de qualquer denominação que você seja, com as seguintes perguntas:

– Quem é o autor da Bíblia? A resposta será: Deus (II Timóteo 3:16);
– Quem Deus usou para escrever a Bíblia: A resposta será: Os profetas (Amós 3:7);
– Quem inspirou as Escrituras Sagradas? A Resposta será: O Espírito Santo (II Pedro 1:21);
– A Bíblia possui alguma contradição? A resposta será: Não;
– Os autores da Bíblia contradizem-se entre si? Resposta será: Não (II Pedro 1:21);
– Quantos Espíritos de Deus existem? A resposta será: Um (I coríntios 12:11);
– O Espírito Santo Testifica de quem? A resposta será: de Cristo (João 15:26);
– O Espírito Santo guia o homem a que? A resposta será: a toda verdade (João 16:13);
– O Espírito Santo convence o mundo de que? A resposta será: da verdade, da justiça e do juízo (João 16:8);
– Mas pastor, o que é a verdade? o que é a justiça? o que é o juízo? quando será o juízo? quem passará pelo juízo? como será o juízo? Como Jesus voltará? O que devo fazer para me salvar? Resposta: Calma, calma que agora você complicou… .

Até a penúltima pergunta tudo ia bem. Quando começou a entrar nos detalhes (lembra onde mora o Diabo?), a coisa começou a complicar. As respostas certamente serão tão variadas quantas forem as denominações. No caso dos Conformistas, a resposta cabe em poucas linhas:

– Mas pastor, existem tantas explicações para estes detalhes, no que devo acreditar?
– Resposta: Não se preocupe meu filho, o que importa é a fé em Jesus. O resto não importa pra Deus.

Quanto aos Inconformistas, a situação muda. As respostas serão certamente mais elaboradas e complexas, dependendo do tipo de denominação.

Mas o que importa saber realmente é:

– Existem informações na bíblia que nos ajudam a chegar a uma conclusão?
– O que significa na Bíblia o conceito de Unidade na diversidade(Efésio 4:11-12)?
– A variedade cultural, religiosa e filosófica do ambiente em que se está inserido podem(no sentido de autoridade) interferir no que a bíblia diz?
– Existe apoio Bíblico para a postura dos Conformadores?

A Fé e o Antigo Testamento

Até o momento em que Deus retirou seu povo do Egito pelas mãos de Moisés e levou-os até o monte Sinal para formalizarem uma Aliança escrita, o conhecimento de Deus passou apenas de forma oral pelo seus seguidores. Só este fato em si já serve de base para uma profunda reflexão.

Pelos cálculos baseados na genealogia bíblica, do Éden até os dias de Moisés, estima-se que se passaram 2200 anos6. Por quantas gerações, culturas e filosofias a verdade sobre Deus teve que atravessar até chegar a Moisés? Pior ainda, Moisés viveu 40 anos dentro palácio egípcio, educado pela cultura egípcia, sendo fortemente influenciado pela cultura egípcia.

Só neste ponto, admitir que as circunstâncias, a cultura e as filosofias locais podem gerar interpretações diferentes que não comprometem a verdade é acabar de uma vez por todas com a autoridade das escrituras. O que não faltam na atualidade são religiões e filosofias que usam estes argumentos para misturar elementos pagãos à verdade cristã, justamente porque crêem que Abraão, Moisés e Cristo incorporaram elementos de outras crenças em sua fé. Segundo eles, Abraão misturou elementos semitas, Moisés elementos egípcios e Jesus filosofias orientais.  Qualquer abertura a uma diversidade de conceitos da verdade com base na premissa de que é aceitável a diversidade de conceitos sobre a fé e a verdade, tendo em vista as diversidades culturas e dons espirituais, colocariam em crise os fundamentos básicos da fé israelita e, consequentemente, a nossa, uma vez que a fé vem deles (João 4:22).

Ao receber a Lei Escrita no Concerto do Sinai Deus incorporou a este concerto os elementos de outro concerto, o Concerto da Graça. Nele já havia o sistema de sacrifícios e ofertas, os dízimos, o sábado, regras dietéticas, etc. O Concerto do Sinai, incorporou e ampliou-os a um contexto maior,  uma vez que Ele estava estabelecendo não apenas um concerto individual, mas formando com uma nação. Para garantir que a unidade doutrinária do povo e evitar sua contaminação com os conceitos existentes das nações que ocupavam a terra que seria conquistada, Deus foi claro ao determinar que todos fosses destruídos (Deuteronômio 20:16 e 17) e muito menos se casar, para que não se contaminassem doutrinariamente(I Reis 11:2). O mandado de Deus era: “E não te desviarás de todas as palavras que hoje te ordeno, nem para a direita nem para a esquerda, andando após outros deuses, para os servires”. (Deuteronômio 17:11 e 28:14).

Até os tempo de Samuel, não havia nenhum ensino formal das escrituras. Samuel foi o fundador da primeira escola formal de profetas, também chamados de “grupo” ou “congregação” dos profetas (I Samuel 10:5 e 19:20). Certamente o empenho de Samuel e daqueles que o sucederam na administração destas escolas contribuiu para manter a unidade doutrinária necessária na vida do povo, contudo, não impediu que a apostasia se instalasse. Aliás, a apostasia idólatra, franca e aberta dos reis de Israel e de Judá não foi pior do ponto de vista doutrinário do que aconteceu depois. Com o cativeiro Babilônico o povo de Israel aprendeu a lição. Nunca mais a idolatria entrou em Israel. Porém, o forte apego às escrituras daqueles que foram descendentes dos cativos de Babilônia trouxeram problemas ainda maiores.

Na boa intenção de definir qual seria o exato entendimento da vontade de Deus nos textos Bíblicos, explicações adicionais foram sendo guardadas e/ou acrescentadas como comentários aos textos bíblicos por fervorosos rabinos estudiosos das escrituras. Tamanho fervor, desacompanhado de uma proporcional dose de humildade e dependência de Deus, deu origem a várias divisões sectárias entre os líderes Judeus. Os principais representantes destes grupos são os Essênios, os Fariseus e os Saduceus (veja mais informações sobre estes grupos em 7 e 8).

Tal esforço no sentido de se procurar saber exatamente qual era a vontade de Deus levou-os a produzirem escritos que pudessem explicar qual o sentido exato do texto em estudo. Todo este esforço deu origem ao que se chama de Torá Oral (ou Lei Oral) ou Talmude O Talmude tem dois componentes principais: a Mishná, um livro sobre a lei judaica, escrito em hebraico, e a Guemará, comentário e elucidação do primeiro, escrita em hebraico-aramaico. Segundo o conceito judaico a Torá Escrita foi complementada pela Torá Oral pelo próprio Moisés e depois pelos sábios talmúdicos no transcorrer da história do judaísmo(veja mais informações sobre este assunto em 9 ). A ocupação  Grega sobre a região da Palestina foi o golpe decisivo de satanás contra o povo de Deus. O domínio cultural foi mais danoso do que o político. Elementos pagãos foram gradativamente se introduzindo na cultura israelita até levá-los à mesma confusão que o Cristianismo se encontra hoje.

Já perceberam que o inimigo foi mais bem sucedido com o “zêlo”(falso) do que com a rebeldia (de modo nenhum quero desfavorecer o zêlo. Estou apenas constatando um problema). Toda esta confusão teológica apenas incapacitou-os de enxergar as profecias do ponto de vista correto, de tal forma que eles não foram capazes de se aperceber nem do tempo e nem das verdadeiras características do Messias esperado.

Agora, percebam. Se dentro do Concerto do Sinal, onde as regras eram muito bem delineadas e definidas, construídas dentro de um escopo bem delimitado de informações, foi possível se gerar inúmeras variações de idéias, quanto mais dentro do Concerto Eterno, onde não há um escopo tão bem delineado de regras e orientações. Falo isso  apenas no sentido de que o Concerto do Sinal foi escrito num livro,  por um só autos, com regras bem definidas (com início, meio e fim), como se fosse uma constituição. Jesus, não levou seus discípulos a um monte e lhes passou as regras de forma clara, específica e escrita. Elas estão espalhadas pelos textos do novo e do velho testamento. Isto certamente foi um prato cheio para os ditos “zelosos” do novo testamento(não estou dizendo que no Novo Concerto as regras não sejam claras. Me referi apenas às questões de forma).

O Velho Testamento, ou Velho Concerto, não dá espaço para múltiplas formas de pensar ou enxergar um tema. A prova disso é que a relação entre os grupos religiosos dos tempos de Cristo eram bem diferentes dos de hoje. Eles não eram tão amistosos uns com os outros. Não ficavam dizendo uns aos outros que essas diferenças não tinham problemas, que Deus não ligava para isso e chamando-se de irmãos. As disputas entre eles eram sérias e constantes. Nisto todos eles eram coerentes com o pensamento Bíblico. Ou alguém está certo ou todos estão errados. Esta postura não é só porque eles não tinham amor, tolerância ou respeito. É porque eles sabiam que as escrituras não dão margem para meias verdades. Ou é ou não é.

Jesus, a Teologia e o Novo Testamento

Em o Novo Testamento, o primeiro caso a ser analisado é o Cristo. Qual foi a postura de Jesus em relação ao sistema teológico de sua época? O tópico anterior fez uma ligeira descrição da situação em que a teologia se encontrava na época de Cristo e precisamos ver como Jesus se comportou.

Um elemento muito forte é a infância de Jesus. Na época de Cristo, os judeus eram cuidadosos na educação de seus filhos. Suas escolas eram anexas às sinagogas e os professores eram chamados de rabis, homens tidos como cultos e preparados para o ensino. Contudo, Deus não permitiu que Cristo passasse pela educação formal de sua época. Ou seja, Deus não permitiu que Jesus fosse educado por nenhuma daquelas lideranças religiosas. Jesus não frequentava essas escolas, pois muitas coisas ensinadas não eram verdadeiras. Ao invés da Palavra de Deus, o talmude e outros livros auxiliares eram estudados e, com frequência, tais ensinos eram contrários à Palavra que Deus havia ensinado através de Seus profetas. A teologia da época estava dividida e contaminada por falsos conceitos de Deus, do messias, do perdão, da fé, do amor, etc.

Jesus aprendeu com o Espírito Santo e com Maria, sua mãe, a estudar as escrituras por si mesmo e, com isso, foi capacitado a se tornar aquilo que era sua missão: ser o redentor, o legislador e o  mediador da Nova e Eterna Aliança, profetizado a Moisés ainda no começo da formação da nação:

O Senhor teu Deus te suscitará do meio de ti, dentre teus irmãos, um profeta semelhante a mim; a ele ouvirás; conforme tudo o que pediste ao Senhor teu Deus em Horebe, no dia da assembleia, dizendo: Não ouvirei mais a voz do Senhor meu Deus, nem mais verei este grande fogo, para que não morra. Então o Senhor me disse: Falaram bem naquilo que disseram. Do meio de seus irmãos lhes suscitarei um profeta semelhante a ti; e porei as minhas palavras na sua boca, e ele lhes falará tudo o que eu lhe ordenar. E de qualquer que não ouvir as minhas palavras, que ele falar em meu nome, eu exigirei contas. Deuteronômio 18: 15 a 19. (grifo nosso).

Jesus foi claro quanto ao que pensava dos teólogos de sua época:

Então chegaram a Jesus uns fariseus e escribas vindos de Jerusalém, e lhe perguntaram: Por que transgridem os teus discípulos a tradição dos anciãos? pois não lavam as mãos, quando comem. Ele, porém, respondendo, disse-lhes: E vós, por que transgredis o mandamento de Deus por causa da vossa tradição? Pois Deus ordenou: Honra a teu pai e a tua mãe; e, Quem maldisser a seu pai ou a sua mãe, certamente morrerá. Mas vós dizeis: Qualquer que disser a seu pai ou a sua mãe: O que poderias aproveitar de mim é oferta ao Senhor; esse de modo algum terá de honrar a seu pai. E assim por causa da vossa tradição invalidastes a palavra de Deus. Hipócritas! bem profetizou Isaías a vosso respeito, dizendo: Este povo honra-me com os lábios; o seu coração, porém, está longe de mim. Mas em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homem. Mateus 15: 1 a 9. (grifo nosso)

Então entenderam que não dissera que se guardassem, do fermento dos pães, mas da doutrina dos fariseus e dos saduceus. Mateus 16:12 (grifo nosso)

Jesus não se associou a nenhum grupos religioso de sua época. Ele, como o legislador da Nova e Eterna Aliança, não encontrou neles nenhuma condição de receber e nem humildade para aceitar sua mensagem, pois estavam contaminados com o mesmo problema que temos hoje em termos doutrinários: a obrigação de concordar com os que os outros teólogos já disseram sobre um assunto. Se o que você diz não ecoa na boca de nenhum renomado “rabi moderno”, sua mensagem não tem crédito. Contudo, admito que esta é uma situação difícil de lidar. Principalmente para a liderança.

Como legislador do Novo Concerto, a missão de Jesus era, principalmente, doutrinária:

…e maravilharam-se da sua doutrina, porque a sua palavra era com autoridade.”Lucas 4:32

Ao concluir Jesus este discurso, as multidões se maravilhavam da sua doutrina; Mateus 7:28

E maravilhavam-se da sua doutrina, porque os ensinava como tendo autoridade, e não como os escribas.” “E todos se maravilharam a ponto de perguntarem entre si, dizendo: Que é isto? Uma nova doutrina com autoridade! Pois ele ordena aos espíritos imundos, e eles lhe obedecem! Marcos 1:22 e 27

Ora, os principais sacerdotes e os escribas ouviram isto, e procuravam um modo de o matar; pois o temiam, porque toda a multidão se maravilhava da sua doutrina. Marcos 11:18

Então o procônsul, vendo o que havia acontecido, creu, maravilhando-se da doutrina do Senhor. Atos 13:12

De que adiantaria morrer pelas pessoas sem lhes esclarecer sobre o que é ou não verdade e sobre o que realmente agrada ou não agrada a Deus. Este é o propósito da Doutrina, saber o que é a verdade e saber o que agrada a Deus. Sabendo o que é a verdade e sabendo o que agrada a Deus podemos andar junto com  Ele sempre: “Acaso andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?” Amós 3:3. Jesus veio reconciliar o mundo com Deus e é preciso que ambos estejam “de acordo” para que possam andar juntos. Ao esclarecer o que é a verdade o que agrada a Deus, o homem, além de ser perdoado (ato jurídico, fora do homem) ele poderia ser restaurado a comunhão com Deus(ato invasivo, dentro do homem). O texto abaixo é importante:

Respondeu-lhes Jesus: A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou. Se alguém quiser fazer a vontade de Deus, há de saber se a doutrina é dele, ou se eu falo por mim mesmo. João 7: 16 e 17

Cristo preparou seus discípulos para darem continuidade à Sua obra. Lançou os fundamentos básicos da aliança que verdadeiramente poderia salvar o homens: “A Aliança da Graça”. Jesus deixou bem claro que sua obra não terminaria ali. Ela se seguiria  com seus discípulos. O Espírito Santo continuaria a obra que Ele começou ensinando a seus discípulos toda a verdade(João 16:13) e revelando até mesmo coisas que eles ainda não eram capazes de suportar(João 16:12). Esta é uma informação importante, pois ela deixa claro que a revelação da verdade se seguiria e nenhum texto da Bíblia deixa margem para a idéia de que  Deus um dia deixaria de revelar novas informações, ou seja, a verdade é crescente. Embora tenhamos que ter o cuidado necessário para evitar que heresias sejam aceitas como verdades, temos, também, que nos cuidar para evitar de nos fecharmos a novas verdades vindas da sua palavra, seja quem for o instrumento de Deus para isso.

Os discípulos de Cristo

Agora chegamos no momento mais esperado. Como Jesus é o Filho de Deus, é natural que ele tenha autoridade para concordar e discordar de quem quiser, pois ele era o “Verbo de Deus”, a verdade encarnada. Agora, como se comportaram seus discípulos em relação às verdades reveladas por Cristo? Eram unânimes entre si? Tinham divergências teológicas? Toleravam divergências entre si e entre os irmão? Propagaram a idéia de que Deus tolera a discórdia em algum ponto? Lembrem-se que não estamos falando aqui de gostos pessoais. Estamos falando da Palavra de Deus. Até onde vai o nível de união que deve existir entre seus discípulos?

O livro de Atos mostra como viviam os cristãos primitivos. Poderíamos categorizar a união dos primeiros discípulos de várias formas:

– União Física

Atos 2:1 diz: “Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar.”

Nossos primeiros irmãos comungavam juntos, fisicamente. A ordem que haviam recebido era a de que permanecessem em Jerusalém aguardando o cumprimento da promessa do derramamento do Espírito Santo. Ora, bem que cada um poderia esperar dentro da sua própria casa, não é mesmo? Contudo, não foi assim que fizeram. Eles reconheceram suas faltas e decidiram estar juntos, lado a lado, até que Deus cumprisse sua palavra.


– União Teológica

Atos 2:42 diz: “e perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.”

Após o derramamento do Espírito Santo, todos ficaram cheios do Espírito Santo. Cerca de três mil almas se converteram em um só dia. E qual foi o resultado? Cada discípulo fundou sua própria igreja? Nasceram ali novas igrejas cristãs? As revelações do Espírito lhes dividiram? É claro que não. O Espírito lhes uniu também doutrinariamente. Eram “perseverantes na doutrina”.

– União Emocional, Espiritual e Financeira

Em cada alma havia temor, e muitos prodígios e sinais eram feitos pelos apóstolos. Todos os que criam estavam unidos e tinham tudo em comum. E vendiam suas propriedades e bens e os repartiam por todos, segundo a necessidade de cada um. E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E cada dia acrescentava-lhes o Senhor os que iam sendo salvos. Atos 2:43 a 47

A fé em Cristo é tão catalizadora que seus seguidores quase que se fundem. O coração e a mente se tornam um. Esta união é tão espantosa que até o povo comum passou a gostar deles, pois certamente nunca presenciaram um amor tão forte e tão grande sintonia entre as pessoas.

O efeito deste amor foi inevitável. Centenas e centenas de pessoas se convertiam ao evangelho de Cristo. A igreja crescia sem parar (Atos 12:24; 16:5; 19:20). E com o crescimento, os problemas começaram a crescer também.

Jesus profetizou sobre os problemas que adviriam do crescimento da igreja (Mateus 7:15; 10:16; Lucas 10:03) e Paulo também disse: “Eu sei que depois da minha partida entrarão no meio de vós lobos cruéis que não pouparão rebanho,…” (Atos 20:29) e o principal deste problemas seria o doutrinário.

“Será que Cristo está dividido?”Parte 1

A preocupação com a unidade doutrinária é clara nas cartas do Novo Testamento:

Rogo-vos, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que sejais concordes no falar, e que não haja dissensões entre vós; antes sejais unidos no mesmo pensamento e no mesmo parecer. Pois a respeito de vós, irmãos meus, fui informado pelos da família de Cloé que há contendas entre vós. Quero dizer com isto, que cada um de vós diz: Eu sou de Paulo; ou, Eu de Apolo; ou Eu sou de Cefas; ou, Eu de Cristo. Será que Cristo está dividido? foi Paulo crucificado por amor de vós? ou fostes vós batizados em nome de Paulo? I Coríntios 1:10 a 13

Quanto ao mais, irmãos, regozijai-vos, sede perfeitos, sede consolados, sede de um mesmo parecer, vivei em paz; e o Deus de amor e de paz será convosco. II Coríntios 13:11

…completai o meu gozo, para que tenhais o mesmo modo de pensar, tendo o mesmo amor, o mesmo ânimo, pensando a mesma coisa; Filipenses 2:2

Rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles. Romanos 16:17

Os apóstolos ficavam sempre felizes ao saber que os irmãos estavam seguindo fielmente à mensagem que receberam:

Mas graças a Deus que, embora tendo sido servos do pecado, obedecestes de coração à forma de doutrina a que fostes entregues; Romanos 6:17

Porque muito me alegrei quando os irmãos vieram e testificaram da tua verdade, como tu andas na verdade. Não tenho maior gozo do que este: o de ouvir que os meus filhos andam na verdade. III João 3 e 4

Muito me alegro por ter achado alguns de teus filhos andando na verdade, assim como recebemos mandamento do Pai. II João 1:4

Por isso nós também, sem cessar, damos graças a Deus, porquanto vós, havendo recebido a palavra de Deus que de nós ouvistes, a recebestes, não como palavra de homens, mas (segundo ela é na verdade) como palavra de Deus, a qual também opera em vós que credes I Tessalonicenses 2:13

Exortavam para que não fossem vacilantes e a não seguirem várias doutrinas:

para que não mais sejamos meninos, inconstantes, levados ao redor por todo vento de doutrina, pela fraudulência dos homens, pela astúcia tendente à maquinação do erro; Efésios 4:14

Paulo não admitia a várias doutrinas na igreja:

Não vos deixeis levar por doutrinas várias e estranhas; Hebreus 13:9

Não são poucas as passagem que chamam a atenção para os perigos a que os cristãos estavam (ou estariam) expostos do ponto de vista doutrinário, não só no próprio tempo dos apóstolos como também no futuro.

Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados em ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores. Mateus 7:15

Igualmente hão de surgir muitos falsos profetas, e enganarão a muitos; … porque hão de surgir falsos cristos e falsos profetas, e farão grandes sinais e prodígios; de modo que, se possível fora, enganariam até os escolhidos. Mateus 24: 11 e 24

Rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles. Romanos 16:17

Pois os tais são falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, disfarçando-se em apóstolos de Cristo. E não é de admirar, porquanto o próprio Satanás se disfarça em anjo de luz. Não é muito, pois, que também os seus ministros se disfarcem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme as suas obras. II Coríntios 11:13 a 15

e isto por causa dos falsos irmãos intrusos, os quais furtivamente entraram a espiar a nossa liberdade, que temos em Cristo Jesus, para nos escravizar; Gálatas 2:4

para que não mais sejamos meninos, inconstantes, levados ao redor por todo vento de doutrina, pela fraudulência dos homens, pela astúcia tendente à maquinação do erro. Efésios 4:14

Mas o Espírito expressamente diz que em tempos posteriores alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios, pela hipocrisia de homens que falam mentiras e têm a sua própria consciência cauterizada I Timóteo 4:1 e 2

Mas houve também entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá falsos mestres, os quais introduzirão encobertamente heresias destruidoras, negando até o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. I Pedro 2:1

Amados, não creiais a todo espírito, mas provai se os espíritos vêm de Deus; porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo. I João 4:1

Este testemunho é verdadeiro. Portanto repreende-os severamente, para que sejam são na fé, não dando ouvidos a fábulas judaicas, nem a mandamentos de homens que se desviam da verdade. Tito 1: 13 e 14

Contudo, semelhantemente também estes falsos mestres, sonhando, contaminam a sua carne, rejeitam toda autoridade e blasfemam das dignidades… Judas 1:8

entretanto, algumas coisas tenho contra ti; porque tens aí os que seguem a doutrina de Balaão, o qual ensinava Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel, introduzindo-os a comerem das coisas sacrificadas a ídolos e a se prostituírem.” “Assim tens também alguns que de igual modo seguem a doutrina dos nicolaítas. Digo-vos, porém, a vós os demais que estão em Tiatira, a todos quantos não têm esta doutrina, e não conhecem as chamadas profundezas de Satanás, que outra carga vos não porei; Apocalipse 2: 14,15 e 24


“Não suportarão a sã doutrina

Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos, II Timóteo 4:3

Existe uma doutrina que é sã e outra que não é. E aquela que não é sã é a que atende aos nossos desejos. O profeta Jeremias completa a ideia de Timóteo ao dizer:

Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o poderá conhecer? Jeremias 17:9

O problema nunca esteve na doutrina, mas no coração do homem. O inimigo usa nossa mente, nossas características, nossos gostos contra nós mesmos. Não podemos deixar estes elementos se interporem entre nós e o que está escrito.

Os Dons Espirituais e a Doutrina

Parte do dilema das divergências doutrinárias entre os Cristãos passa, também, pela questão dos dons espirituais e seu papel na igreja. Quanto a isto, o apóstolo Paulo é claro:

Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. A cada um, porém, é dada a manifestação do Espírito para o proveito comum. I Coríntios 12:4 a 7

Não há nenhuma margem nos escritos de Paulo para que os dons do Espírito produzam conceitos, doutrinas, idéias e profecias divergentes. A Bíblia fala de diversidade de Dons(instrumentos) e não de conteúdo, pois a fonte é a mesma.

Paulo incentiva a que busquemos os Dons Espirituais, principalmente o de profecia,  para que a igreja seja edificada.

Segui o amor; e procurai com zelo os dons espirituais, mas principalmente o de profetizar…. Assim também vós, já que estais desejosos de dons espirituais, procurai abundar neles para a edificação da igreja. I Coríntios 14:1 e 12

O que seria essa “edificação”? Lucas e Paulo respondem:

e perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. Atos 2:42

edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, sendo o próprio Cristo Jesus a principal pedra da esquina; Efésios 2:20

Doutrinas são sinônimos de conceitos, idéias, pensamentos e estes determinam as ações. O comportamento de um cristão é guiado pelas doutrinas. Isto não é algo difícil de perceber. Olhe para a igrejas cristãs e vejam que suas diferenças doutrinárias determinam o comportamentos dos irmãos no que comem, bebem, vestem, assistem, ouvem, falam, etc.

“…um só…” “…uma só…”

um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos.” Efésios 4: 4 a 6

Somente portai-vos, dum modo digno do evangelho de Cristo, para que, quer vá e vos veja, quer esteja ausente, ouça acerca de vós que permaneceis firmes num só espírito, combatendo juntamente com uma só alma pela fé do evangelho; Filipenses 1:27

um só legislador e juiz, aquele que pode salvar e destruir; tu, porém, quem és, que julgas ao próximo? Tiago 4:12

Pois qualquer que guardar toda a lei, mas tropeçar em um só ponto, tem-se tornado culpado de todos. Tiago 2:10

Ora, se há um só Deus (I Timóteo 2:5), um só salvador (Atos 4:12), um só espírito (Efésio 4:4), um só mediador (I Timóteo 2:5), uma só fé (Efésios 4:5), Um só juiz (Tiago 4:12) e uma só verdade, então porque nos detalhes a verdade deixa de pertencer a Deus (que é um só), ao Espírito (que é um só), a Jesus (que é um só) e passa a pertencer a quem interpreta.

sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. II Pedro 1:20

Não é possível que as igrejas evangélicas da atualidade estejam unidas numa verdade. Apenas um único ponto errado anula tudo (Tiago 2:10).

O Fato de muitas pessoas seguirem ou elogiarem um pregador não é garantia de que ela em nome de Deus:

Ai de vós, quando todos os homens vos louvarem! porque assim faziam os seus pais aos falsos profetas. Lucas 6:26

Resumindo

– Mesmo sendo transmitida de forma oral, a verdade do evangelho no Velho Testamento, repassado de Adão até Moisés, não sofreu nenhum alteração ou interferências culturais.
– Depois do cativeiro Babilônico o zêlo excessivo levou os líderes a promoverem dissensões de ordem doutrinárias entre si. Surgiram facções religiosas dentro do Judaísmo baseadas, principalmente, em textos interpretativos extra-bíblicos.
– Como o antigo testamento não deixa margem para uma união baseada em conceitos diferentes, estes grupos não se uniam.
– Jesus veio como um Doutrinador numa época cheia de divisões e disputas teológicas e por poder.
– Jesus condenou todos os grupos de sua época.
– Seus discípulos foram treinados e capacitados a perpetuar e ampliar a obra iniciada pelo mestre.
– Os Dons Espirituais foram dados para “edificação da igreja” e edificar significa “doutrinar”, ou seja, dizer o que é certo e o que é errado, o que é verdade e o que não é.
– Jesus e os apóstolos advertiram contra a entrada de doutrinas estranhas no seio do Cristianismo.
– As escrituras recomendam que os cristão tenham sempre “o mesmo parecer”.
– O desejo de ouvir o que agrada e de fazer as vontades pessoais é que dão origem as divergências doutrinárias.
– O mundo cristão é o mundo do “um só”, inclusive na doutrina.
– Em todos os detalhes a doutrina dever ser certa, pois um ponto errado quebra todos os outros e um pouco de fermento(doutrina, Mateus 16:12) levada toda a massa.


“Será que Cristo está dividido?
” – Parte 2

Infelizmente, sim. O mundo cristão está dividido. A primeira tentativa de unir foi pela força(Inquisição). Não deu certo. Porém, definia melhor a posição que cada um tinha que tomar.

A segunda tentativa de unir (o ecumenismo) está sendo pior do que a primeira, porque faz as pessoas terem a sensação de união, mas não tem. Cada igreja cristã é como se fosse um país, com território próprio, regras próprias, líderes próprios, justiça própria e, obviamente, um rei próprio, pois, como disse Jesus:

Nenhum servo pode servir dois senhores; porque ou há de odiar a um e amar ao outro, o há de odiar a um e amar ao outro, o há de dedicar-se a um e desprezar o outro. Lucas 16:13

Vós sois meus discípulos, se fizerdes o que eu vos mando. João 15:14

Como em cada esquina existe uma igreja dizendo que Jesus manda fazer uma coisa diferente da outra, não podemos estar falando do mesmo “Senhor”.

Conclusão e Solução

Este artigo teve apenas o objetivo de levantar brasas na sua mente. Meu propósito era apenas mostrar que a Santa Bíblia, que é a Palavra de Deus, de um Deus que não muda (Malaquias 3:6), não apóia, em lugar algum, a idéia de que entre os Cristãos pode haver qualquer tolerância em pensamentos doutrinários divergentes. Um vez que uma dúvida ou uma nova informação apareça, é obrigação de todos os cristãos analisarem esta informação com imparcialidade, humildade, oração e se chegarem a conclusão de que esta informação é certa, devem pô-la em prática na sua vida, venha de onde ela vier.

Mas, e se houverem discordâncias? O que fazer com elas?

Aí, nós entramos no campo da solução. A raíz das divergências está no método. Todos os estudiosos da bíblia sabem que existem certas regras que precisam ser respeitadas para que a abordagem bíblica possa levar a uma conclusão correta. O nome que criaram para este princípio é Hermenêutica10. Para que os princípios da Hermenêutica possam ser alcançados, os estudiosos criaram métodos/regras  para interpretação da bíblia. Este que conjunto de regras recebeu um outro que é Exegese11. A Exegese diz que devemos levar em consideração vários fatores na hora de analisarmos os textos bíblicos. Algumas delas são: Análise do Texto, do Contexto, da História, da Cultura, dos outros textos que falam sobre o assunto, texto no original, etc.

O engraçado é que todos conhecem as regras, todos usam as mesmas regras,  mas todos  chegam a conclusões diferentes. Isto não é mesmo incrível? Se você frequentar 10 escolas teológicas de 10 denominações diferentes, todas elas vão falar das mesmas regras, mas todas vão conseguir chegar a conclusões diferentes. Isto acontece dentro das próprias igrejas. Se você for analisar com cuidado a literatura de escritores de uma mesma religião, verá que, em muitos pontos, eles possuem divergências grandes, embora sejam da mesma igreja e conheçam as mesmas regras de interpretação.

Bom, então onde está o problema? Nas regras ou nas pessoas? Resposta: nos dois. Um interfere no outro.

O estudo da teologia é como a construção de uma casa. Todos os pedreiros usam as mesmas ferramentas, mas isto não é garantia de que todos vão construir a casa do mesmo jeito e nem que todas elas vão sair sem defeito. Se o pedreiro é bom, mas a ferramenta estiver velha, ou com defeito, mesmo a experiência do pedreiro não evitará danos ao trabalho. Se a ferramenta estiver boa, mas o pedreiro for cego de um olho, ou for distraído, ou for apressado, ou for desorganizado, o resultado também pode dar errado.

Portanto, é preciso ter uma boa ferramenta (a exegese), saber usar corretamente a ferramenta e muita, mais muita humildade e submissão a Deus para conseguirmos chegar ao resultado que desejamos: saber a verdade e a vontade de Deus.

No próximo artigo, estarei falando sobre o problema da Exegese. Discorrerei sobre suas regras, como elas são usadas, porque as pessoas chegam a conclusões diferentes mesmo usando as mesmas ferramentas e, ao final, darei a minha opinião bíblica sobre o assunto.

Até que este outro artigo esteja pronto, deixo para você, caro amigo, o mesmo apelo que o Apóstolo Paulo fez em sua época:

E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus. Romanos 12:2

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Categorias:Doutrina
  1. Ticiane
    27 novembro, 2011 às 10:53 pm

    Herbert,

    Tudo bem? Gostaria de saber de onde você é? Há anos eu procuro um amigo que tem o seu nome, gostaria muito que você fosse ele. Desculpa por tá escrevendo aqui, mas como não tenho seu e-mail foi o meio de comunicação que encontrei, Abraço.

    Ticiane

  2. 5 outubro, 2010 às 11:34 pm

    Olá, Herbert.

    Sou da lista ed WordPress do Google Groups que vc criou e preciso conversar com vc o quanto antes. Envie-me um email por favor ou mande uma msg para a lista?

    Abraços e obrigado,
    Anderson Clayton
    duquebilly@gmail.com

  3. jobson
    31 março, 2010 às 8:40 pm

    rsrsrs, muito legal seu “neo” na frente. Bem colocado: “Na verdade, ambos cometeram, historicamente, o mesmo erro de se fecharem em suas tradicionais verdades.” O mais legal foi você ter dito: “Vocês estão percebendo que estou tomando o cuidado de não citar nenhum nome denominacional ao descrever estes grupos.” Esse último foi muito engraçado rsrsrs Muito boa suas coocações, caultela e ponto de vista.

    Bem, o mais legal de tudo foi sua coragem em dissetar seu ponto de vista. A questão histórica caiu muito bem como introdução à polêmica em questão do seu tema. Valeuuuu

    Jobson Victorino

  4. winicius Dias
    13 outubro, 2009 às 10:57 am

    Não achei seu email no blog, desculpe a ignorância.

  5. 13 outubro, 2009 às 10:24 am

    Caro Winicius,

    Envie suas sugestões por email para serem analisadas. Qualquer contribuição será bem-vinda.

  6. winicius Dias
    13 outubro, 2009 às 9:47 am

    Olá prezado irmão,

    Gostaria de compartilhar tb algo pormenorizado sobre ‘perseverança’. Seus artigos são inspirados pelo Senhor.

  7. 13 outubro, 2009 às 6:10 am

    Cara irmã Suzana,

    Primeiramente gostaria de agradecer a todos que estão lendo o artigo. Que Deus seja louvado por tudo!

    Quanto ao material sobre os dons espirituais e sua importância hoje, ainda não tenho nada pronto, mas vou aproveitar a sua solicitação e vou preparar um artigo sobre isso e colocar no site.

    Fiquem à vontade para sugerirem temas para publicação que, tanto quanto possível, vou preparar algum material.

    Um grande abraço.

  8. Susana Oliveira da Silva
    12 outubro, 2009 às 4:23 pm

    Irmão Herbert, tens algum artigo falando em pormenores sobre as variedades de dons do espírito santo e o porquê das igrejas darem tanta importãncia quanto a isso?

  9. 12 outubro, 2009 às 12:07 pm

    Maravilhoso e edificante material, parabéns Herbet.

  10. Natália Lira
    7 outubro, 2009 às 3:42 pm

    Que maravilha ter tido acesso à este material. Realmente foi de grande valia para mim, porque além de se tratar de uma curiosidade, o texto é valioso e edificante.Parabéns Herbert, que o Senhor continue iluminando sua mente! Graça e paz!

  11. Natália Lira
    7 outubro, 2009 às 7:07 am

    *Comentário feito por email(Herbert de Carvalho)*

    Nossa! Que estudo glorioso e altamente edificante!
    Prezados…vale a pena ler do início ao fim!!!

    Natália Lira

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