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Cada Crente um Teólogo


FORMAÇÃO MINISTERIAL

A ênfase dad nos dias atuais a este assunto se enquadra não apenas na evolução do termo teologia, conforme exposto até aqui. Também há na história recente,quase paralela ao surgimento da Igreja Adventista, certa ênfase que explica a natureza da educação teológica ministrada nos seminários através do mundo e que de alguma maneira influi na igreja.

A netureza da educação teológica nos Estados Unidos pode ser dividida em três períodos: divindades, erudição e profissionalização. O primeiro período vai desde começos do sdeculo 17 até apriximadamente 1800. Esse foi o período de aprendizado pio. Coincidiu com a época da educação teológica pré-seminário, onde hoje é de seminário. O segundo período implicou um aprendizado erudito e especializado. O Terceiro corresponde a uma educação profissional19.

A percepção que muitos pastores tem de si mesmos ao começar o século 21 é a de um administrador eclesiástico. Nesse contexto “a autoridade humana chega a ser um assunto de habilidade demonstrada em alcançar alvos e na aplicação de meios. Isto está em perfeita harmonia com a idéia de um moderno profissional. Em nossa sociedade pós-iluminista, a autoridade está baseada na habilidade de fazer coisas. Isso é o que o profissioonal diz fazer”.20

A ação de unificar o currículo em torno da instituição do ministério serviu temporariamente para apriximar a universidade da igreja, com respeito a educação teológica; porém, com o passar do tempo, o ministério chegou a ser compreendido como um conjunto de atividades profissionais. Chegou a ser substituído por “este ministério”, ou por “meu ministério”, espressão que significa as atividades de um indivíduo. O ministério chegou a ser definido pelo que este realiza21.

A ênfase funcional tanto na formação ministerial como em sua prática já estava presente nos dias de Ellen White. Em 1899, Willian Harper, fundador da Associação de Educação Religiosa dos Estados Unidos, publicou seu chamado a uma exaustiva reforma da educação teológica22. Para ele, a educação teoldogica deveria preparar o ministério para realizar um efetivo trabalho pastoral local. Em contraste a essa proposta, Ellen White concebia a formação ministerial como parte de um processo mais extenso de educação cristã, compreendido como equivalente ao processo de salvação23. Para ela, os dois principais objetivos na formação ministerial deviam ser a forma do caráter e o cumprimento da comissão evengélica24.

Aparentemente, os teólogos são mais eficientes na igreja quando, além do conhecimento teológico, manisfestam uma mente penetrante, pureza de vida, valentia e coragem,habilidade e sinceridade na pregação e ao ensino, junto co uma vida diária, demostrativa do que se prega.

Como pode o professor favorecer a formação do seu próprio caráter, o de seu alunos, e potencializar a comissão evangélica? Primeiro, ele reconhecerá que suas credenciais espirituais estão sobre as acadêmicas. Na avaliação final divina, viver os princípios da teologia é mais importante que a quantidade dela conhecida. Segundo, é importante que cresça no conhecuimento do Senhor, que aprofunde sua compreensão através de um estudo cuidadoso. Não importa quanto tenha aprendido, jamais deve abandonar as verdades básicas acerda de Jesus.

Em terceiro lugar, trabalha em equipe com seus pares, para o bem dos estudantes25. Os futuros pastores deverão “confrontar existencialemente a necessidade de fundir seus estudos teológicos, bíblicos e históricos em uma unidade vivente com as áreas práticas. Se o diálogo entre as áreas não ocorre na mente dos professores, dificilmente ocorrerá na mente dos estudantes”26. Em quarto lugar, seu labor está centralizado nas necessidades das igrejas locais. Para o professor adventista de teologia, seu ensino não está construído sobre um conjunto de problemas no ensinamento das especialistas, mas no conjunto de desafios do ministério e missão dad Igreja.

Ellen White não hesitou em recomendar a J. N. Andrews estudar menos e dar mais atenção a liderança da igreja. Insistiu em que gastasse menos tempo na investigação, e publicasse seus materiais mais rapidamente. Em sua opinião, a Igreja necessitava de material simples, leitura leve, e não os frutos de exaustiva investigação erudita27. Já que a teologia trata dad vida de pessoas, os professores sempre devem ter em mente as necessidades pessoais ao realizar seu trabalho acadêmico. “A prova real da teologia é o grau em que pode ajudar as pessoas a encarar os problemas diários da vida da igreja28.

Que considerações deverá ter em mente o estudante de teologia em sua formação ministerial? Primeiramente, precisa aprender que “teologia sem ministério chega a ser algo amargo” e que “ministério sem teologia é apenas um pouco mais que ar prefumado”29. Ao lado disso, Ellen White assinalou que “o preparo teoldogico não deve ser descuidado, mas deve ser acompanhado da religião experimental”30. Esse equilíbrio é para prevenir a situação em que jovens recém-formados em teologia são às vezes menos preparados para apresentar as palavras de vida outros, devido a que a leitura de livros especulativos foi feita em detrimento da devoção pessoal31.

PROLIFERAÇÃO DE DISSIDÊNCIAS

A proliferação de dissitentes e dissidências, iniciada em 1853 no seio da igreja, será mais intensa a medida que nos aproximarmos da volta de cristo32. Aqui se incluem os principais motivos para a dissidência, como a insastisfação com a liderança, o entusiasmo por uma “nova luz, problemas de egoísmo, equilíbrio mental e busca de posição33.

De outro ponto de vista, na origem dessa efervecência estão o fanatismo34, a ignorância da verdade e espírito de auto-suficiência35. Há também o desejo de se fazerr notado. Em alguns indivíduos, o anonimato gera instabilidade.

De acordo com o ensinamento bíblico e os escritos de Ellen White, a atitude mais positiva a ser seguida diante de tais situações envolve o reconhecimento da existência e da natureza dessas dissidências. Em II Timóteo 2: 15-17, Paulo nos adverte contra o “câncer” espiritual (v. 17). Isso significa que o perigo não reside nas dissidências teológicas, mas no espírito “missionário” do erro que procura espalhar-se e afetar outras pessoas, tal como a metástase cancerígina.

É necessário assumiruma ação firme e prudente a favor da verdade bíblica da Igreja e contra os erros manifestos. Um claro exemplo disso é o da própria Sra. White, ao denunciar a tentativa de contaminação da teologia básica da Igreja, urdida pela filosofia panteísta36. Não é recomendável um espírito beligerante e apologético. Por outro lado, deve-se aceitar o fato de que “Deus tem permitido ocorrerem apostasias a fim de mostrar quão pouco se pode confiar no homem”37. Em todos os casos, não é aconselhável nem uma atitude complacente nem de autoflagelação da parte da Igreja.

A igreja é única no sentido de que é uma organização divino-humana. Por si mesmo, tal fato gera uma tensão em sua vida e teologia. Uma organização que não tem nenhum problema está encarando um grande problema. Com frequencia significa retrocesso, ou que o progresso não acontece com suficiente rapidez ou não acontece com suficiente rapidez ou não existe visão ampla da missão.

NA IGREJA LOCAL

Tem-se observado que o conceito de teologia sofreu uma redução em seu significado e alcance. Também observa-se que um espírito de conformismo teológico poderia estar presente hoje na igreja. Tais fatos parecem indicar a necessidade que os crentes e a igreja local se perguntem a cerca de seu conceito de Deus e como ele Se relaciona com suas criaturas.

Um mesmo estudo de II Crônicas 17:7-9 oferece-nos algumas lições. Josafá convidou alguns príncipes levitas e sacerdotes para que “ensinassem nas cidades”, porque o povo de Judá era ignorante na palavra. Não tomava tempo para escutar , discutir a lei de Deus e como ela podia transformar sua vida.  ele percebeu que o conhecimento das instruções dos mandamentos divinos era o primeiro passo para as pessoas viverem como deveriam. Foi assim que iniciou um programa de educação religiosa em todo o país. Reverteu o declínio espiritual, ao dar prioridade a Deus na mente do povo e desenvolvendo um sentido de dedicação individual e de missão.

A tarefa requerida de todos nós é expor o ensinamento da Bíblia em escolas, igrejas, estudos bíblicos, devoção pessoal e familiar. O objetivo é que todos possam ser teólogos. Isso é o que parece afirmar Ellen White ao escrever que “a Bíblia abre nossa compreensão a um simples e mais sublime sistema de teologia, apresentando verdades que podem ser captadas por uma criança, porém que tem um alcance que desafia as mentes mais amadurecidas”38. Esse conceito é totalmente oposto à prática da teologia por uma elite e percebida como algo exótico, confinado a um colégio ou universidade.

Como pode a fé cristã, dedicada a relacionar a fé com a realidade, o mundo e o conhecimento, continuar restrita em seus esforços  a um grupo de líderes e fora do alcance dos leigos? Por que a educação na congregação e, para o crente em geral, é concebida de maneira que tem pouco a ver com as disciplinas e exigências de educação teológica formal? Como pode a educação teológica, que compreende estudos permanentes nas disciplinas e habilidades necessárias para compreender as Escrituras, doutrinas, os princípios morais e sua prática, ser vista como necessária para o clérigo, porém nunca para o leigo?

A história da Igreja cristã revela, mediante seus movimentos subterrâneos que esse padrão não pode ser mantido39.  Ironicamente, a pessoa assim preparada para o ministério pode ter conhecimento e habilidades e não estar preparada para o tipo de teologia encontrada na Igreja. Enquanto que a teologia no contexto universitário é conhecimento adquirido de acordo com os cânones da erudição e habilidades desenvolvidas de acordo com a experiência profissional, na Igreja, a teologia é pregação, oração, vida devocional e sua prática.

Na igreja local, onde interagem pais, pastores, professores e estudantes, “precisamos ser guiados pela genuína teologia e o bom senso”40. Isso significa que as decisões são tomadas com base na teologia e no senso  comum ou no sentido do que é apropriado. O sendo comum depende da Palavra revelada de Deus; o sentido do que é apropriado, da interação da cultura e maturidade espiritual dos crentes.

Se for desenvolvido um ministério pastoral de maneira que o púlpito seja um real poder dentro da Igreja, e os pastores sejam os líderes mais importantes na prática de sua teologia, teremos uma postura teológica mas equilibrada e menos compromisso com a tendência liberal que hoje é observada.

Precisamos voltar a ser o povo da Bíblia.

REFERÊNCIAS

1. Ellen White, Conselhos aos Professores, Pais e Estudantes, pág. 422.
2.  Edward Farley, Theologia, Philadelphia:  Fortress Press, 1983, pág. 29-39.
3. Carta a Mary White, 04/11/1888.
4. Manuscrito 9, 24/10/1888.
5. Review and Herald. 14/12/1886, pág. 779.
6. Ellen White, Review and Herald, 05/08/1888.
7. Ellen White, Conselhos Sobre Saúde, pág. 37.
8. Ellen White, O Grande Conflito, pág. 595.
9. James R. Newby, Ministry, janeiro/1990, págs. 15 e 16.
10. Robinson, James White, pág. 183.
11. Ellen White, Review and Herald, 29/11/1906, “The work in Oakland and San Francisco”.
12. Ellen White, Evangelismo, pág. 223.
13. Ellen White, Lift Him up, pág. 134.
14. Ellen White, The Sings of  the Time, “Principles of Service”, 10/05/1910.
15. Ellen White, 5T, pág. 710.
16. Arthur White, 1BIO, pág. 270.
17. Edward Farley, The Fragility of Knowledge. Theological Education in the Church and the University, Philadelphia: Fortress Press, 1988, pág. 90.
18. Ellen White, 5T, pág. 583.
19. Edward Farley, Theology, pág. 16.
20. Joseph C. Hough, Theological Education 20,  Spring 1984, pág. 77.
21. Merle D Strege, Theological Education and Moral Formation, Grand Rapids: Eerdmans, 1992, pág. 114.
22. Willian R. Harper, American Journal of Theology, 1899, págs. 45-46.
23. Juan Millanao, An Evoluation of the Concept of Seminary in Mission with Reference to the Latin American Adventist Theological Seminary, Andrews University, 1992, págs, 55-59.
24. Ibidem, pág. 60.
25. Ellen White, Conselhos aos Professores, Pais e Estudantes, pág. 432.
26. Richard Niebuhr e James M. Gustafson, Tha Advacement of Theological Education, Nova york: Harper and bro., 1957, pág. 164.
27. Joseph G. Smoot, Adventist Heritage 9, Spring. 1984, págs. 3-8.
28. Daniel Augsburger, Ministry, outrubro/1990, pág. 6.
29. ibidem.
30. Ellen White, Sings of the Times, 17/01/1885, pág. 180.
31. Ellen White, Review and Herald, 20/04/1887, pág. 457.
32. Este fenômenos devem ser entendidos em seu significado dentro do conflito entre o bem e o mal. Ellen White baseia na experincia de Coré, Datã e Abirã (Números 16) sua advertência: “duvido que uma rebelião declarada possa remediar-se” – 2MS, 456.
33. R. W. Schwarz, Light Bearers to the Remnant, pág, 455.
34. Ellen White, Mensagens Escolhidas, vol. 2, pág. 17.
35. Ellen White, 13MS, 167.
36. Arthur White, 4BIO, pág. 394.
37.  Ellen White, Mensagens Escolhidas, vol. 2, pág. 395.
38. Ellen White, Review and Herald, 25/09/1833.
39. Edward Farley,  The Fragility, pág. 85.
40 . Ellen White, Conselhos aos Professores, Pais e Estudantes, pág. 257

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