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Como ser Realmente Feliz? O Diagnóstico Correto do Pecado

Olvide ZanellaPor Olvide Zanella

Este artigo está no capítulo 6 do Livro “Como ser (realmente) feliz”.

É o pecado que causa nossa perdição, mas o evangelho trata do plano de Deus de reverter a nossa triste situação, de perdidos para a de salvos; da posição de sujeitos – dominados – pela lei do pecado [a lei do egoísmo], pelos vícios, defeitos de caráter, tentações, para a de sujeitos a Cristo, que é a verdadeira liberdade. Isaías 61.1. O autêntico ‘evangelho eterno’ nos liberta tanto da culpa como do poder dos pecados, a fim de não cometê-los mais. “Para a liberdade foi que Cristo nos libertou.” (Gálatas 5.1).


O primeiro passo em direção à cura: A consciência da doença!

Quando vamos ao médico, faz-se necessário que a doença seja diagnosticada corretamente, a fim de que nos sejam ministrados os remédios adequados. Se o diagnóstico da doença for incorreto, a medicação também o será, e o doente não sarará. Se nos enganarmos quanto ao diagnóstico, como acertaríamos na medicação?

Convém-nos conhecer, então, com absoluta precisão, qual é a natureza do pecado, a fim de que possamos escapar de sua condenação e de seu poder. Quando? Como? E, por que ofendemos a Deus? O que nos torna culpados, ao ponto de sermos condenados à 2ª morte? Precisamos saber, com exatidão, o que é o pecado para, posteriormente, entendermos como o evangelho – o remédio para o pecado – nos resgata e nos cura dele.

O que se constitui e o que não se constitui uma ofensa a Deus? O que nos torna indignos da Sua confiança? Do que somos perdoados? Do que precisamos sarar, a fim de nos libertar da morte eterna? Por qual razão seríamos condenados? Por que somos culpados perante Ele? Sabendo onde reside nossa culpa, e como ela se origina, estaremos habilitados a aplicar, acertadamente, o evangelho.

O conceito, a compreensão que tivermos, do que vem a ser pecado, influenciará nossa fé, nossa esperança de vitória, nossa atitude, nosso comportamento e nossa crença a respeito da nossa salvação.

Duas correntes antagônicas

Lamentavelmente, há, no Cristianismo, duas definições conflitantes, antagônicas, contrárias entre si, a respeito do que é pecado:

(a) Uma corrente que, equivocadamente, entende que pecado é também aquilo que somos, a nossa natureza com tendências hereditárias ao mal. O pecado teria existido [e existiria] em nós, independentemente das nossas decisões e mesmo antes delas! O pecado seria ‘como a barba’3, que pode ser aparada, mas não eliminada.

(b) A outra corrente que, acertadamente, define pecado como uma escolha. Se o pecado for consciente / voluntário, gera culpa!

Se for inconsciente / involuntário, não gera culpa! Uma maldosa decisão consciente pode, ou não, resultar, finalizar em palavra ou num ato externo, contrários à vontade de Deus. Cometer pecados restringe-se à área das decisões humanas, das intenções, das escolhas mentais.

(a) PECADO COMO NOSSA NATUREZA, AQUILO QUE SOMOS

Essa corrente de pensamento não define, como pecado, apenas as escolhas humanas, contrárias à vontade de Deus, mas inclui, em seu conceito do que é pecado, também o que somos, a nossa natureza. “Pecado é, então, não apenas aquilo que nós fazemos, mas aquilo que nós somos”4 “Pecado é mais que um ato, é também uma força, um princípio, um poder que reside em nossas naturezas pecaminosas.”5

Também expressam-se assim:

“Todos nós … viemos ao mundo corrompidos com o contágio do pecado … À vista de Deus somos corrompidos e poluídos … A impureza dos pais é transmitida a seus filhos … Todos são originalmente depravados … A culpa provém da natureza.” 6

“Nossas naturezas humanas, que herdamos de Adão ao nascer, tornam-nos pecadores.”7

Como nascemos com tendências hereditárias ao mal, estes acreditam que elas já seriam mesmo uma ofensa a Deus. Observe outras maneiras como formulam seu equivocado entendimento:

“Embora o pecado inclua escolhas errôneas … ele também inclui natureza.”8 “… a natureza do pecado inclui um aspecto interno (inclinação egocêntrica).”9 ‘Para Jesus, pecado, mais que o ato, é uma condição, um estado, uma inclinação da natureza humana para o mal.’10

Entendem eles que estaríamos ofendendo a Deus até pelo simples fato de termos nascido na família humana! Porque herdamos uma natureza pecaminosa, sujeita à lei do egoísmo, com tendências ou inclinações hereditárias ao mal! Essas, automaticamente, gerariam a nossa culpa! Teríamos, assim, herdado a culpa de Adão, pois foi dele que herdamos a natureza humana, da qual se originam os desejos, pensamentos maus! Nossa natureza seria uma ofensa a Deus!

Seríamos culpados porque a nossa natureza é inimiga dEle. Porque ela não aprecia o que Ele gosta e gosta do que Ele detesta. Deus nos destinaria à segunda morte exatamente porque, interiormente, nos sentimos naturalmente atraídos ao mal, assim como o ferro sente natural atração pelo ímã.

A culpa teria origem tanto naquilo que somos – inclinados ao mal – como no mal que tencionamos fazer e, em decorrência disso, fazemos.

Absurdos e armadilhas!

Entendem eles que Deus estaria sendo ofendido a partir do instante em que o bebê é gerado, no ventre materno. Desde o momento em que Ele mesmo dá vida ao novo ser, até o fim dos seus dias, nosso Senhor permaneceria, CONSTANTEMENTE, sendo ofendido, por causa de nossas tendências ao mal. A nossa natureza humana pecaminosa seria uma perene, inalterável e inevitável ofensa.

Se prosseguirmos, nessa equivocada linha de raciocínio, até a sua conclusão final, chegaríamos a outras complicadas suposições: também o pai e a mãe do novo ser estariam ofendendo a Deus ao gerar mais uma natureza humana! E, como é Deus mesmo quem dá vida ao novo ser, Ele mesmo estaria ofendendo-Se a Si próprio! Ao nos dar vida, Ele estaria auto-ofendendo-Se! E isso desde o início até o fim da existência! Nós seríamos o pecado e pecado sem solução!

Existiria culpa em nós, mesmo antes de podermos compreender e tomar decisões sobre o certo e o errado! Deus estaria sendo ofendido, e nosso estado pecaminoso nos condenaria, antes mesmo de concordarmos ou cedermos, conscientemente, à tendência ao mal. Conseqüentemente, tudo o que o homem poderia fazer, seria pecar e continuar pecando, sem qualquer outra alternativa, pois sua natureza humana continuará com ele, até o final de sua existência terrena! Parafraseando esse equivocado conceito, quanto ao que seria pecado, teríamos: ‘haverá culpa em nós, enquanto possuirmos a natureza com tendências ao mal’.

Se ser tentado, através de maus pensamentos ou maus desejos, já se constituísse pecado, o homem seria facilmente levado ao desânimo. Como lhe é impossível impedir que eles surjam em sua mente, ele poderia concluir: ‘Bem, se já pequei só por me ter vindo o desejo mau, agora seguirei adiante, cedendo a ele e consumando o ato. Se já terei que pedir perdão de uma coisa, pedirei logo de duas!’

Percebe algumas armadilhas nesse ensinamento, que, em verdade, é um compromisso com o pecado? Que pena que tais conclusões tenham sido aceitas por alguns cristãos!

Por desejo, entenda-se, não a intenção de agir, i. é, a decisão já tomada: ‘eu quero fazer isto’ ou, ‘eu vou fazer aquilo’, mas tão somente a tendência para fazer. Por exemplo: ‘sinto desejo de fumar, mas não quero satisfazê-lo por ser prejudicial à saúde’. Nesse caso não haveria ainda a intenção de agir: não haveria ainda a decisão de praticar o ato. Assim, o simples desejo não é ainda pecado.

Uma crença ofensiva a Deus!

A crença de que pecado é aquilo que somos – a nossa natureza, gerada com tendências ao mal – é conhecida como a doutrina do pecado original. Ela ensina que o homem seria culpado – e condenado ao inferno – mesmo antes de qualquer escolha consciente entre o bem e o mal. Estaria culpado, condenado ao fogo da segunda morte, sem mesmo ter, conscientemente, consentido com o mal. Seríamos culpados apenas por sermos descendentes de Adão; porque dele herdamos uma natureza com tendências egoístas, egocêntricas, pecaminosas.

Como não somos responsáveis pelo nosso nascimento, Deus nos consideraria culpados por algo inteiramente alheio à nossa responsabilidade! Seria Ele justo, se assim agisse? Como se percebe, essa linha de pensamento retrata o nosso Criador – justo, amoroso e misericordioso – com os atributos do inimigo de Deus. Esta crença expõe, assim, a Deus como um Ser injusto, arbitrário e cruel. Está equivocada, pois! Desfigura Seu caráter, sendo-Lhe por isso, ofensiva. Toda doutrina equivocada traz, em seu bojo, uma ofensa a Deus.

Os disfarces

Esse ensinamento tem diversas ramificações. Nem sempre se apresenta abertamente como pecado original. Raramente refere-se, diretamente, ao pecado original ou à culpa original. Vale-se também de diversas sutilezas e subterfúgios; é definido de diversas maneiras diferentes, disfarçadas. Às vezes, sustenta mesmo descrer no pecado original ou na culpa original; mas, simultaneamente, afirma que ‘ há culpa nos maus pensamentos ou nos maus desejos’, o que equivale a crer na culpa original!

Serve-se também de contradição. Enquanto afirma descrer no pecado e culpa originais, assegura que já há pecado mesmo nas hereditárias tendências ao mal, as quais, obviamente, são oriundas da nossa natureza humana, originárias de nosso ego. E isso equivale a crer no pecado ou culpa originais! Percebe o equívoco, o disfarce, a contradição?

Considere que, enquanto se diz: “Não devemos ensinar que ‘em Adão’ toda a humanidade herda também sua culpa”, declara na mesma página: “É esta morte – a segunda morte – que é passada a toda humanidade ‘em Adão’.”11 Conforme você percebe, nesta última frase não se está ensinando apenas a culpa original, mas, sim, também a condenação original!

Ensinos anti-bíblicos

Eis algumas outras destas declarações, que lançam opróbrio e infâmia sobre o caráter de Deus:

‘Declara-se que o pecado existe no ser [humano] antes de sua própria consciência dele.’ ‘Há pecado no desejo de pecar.’ ’É declarado que o pecado existe no ser [humano], antes de nossa consciência dele.’ ‘ Há culpa nos maus desejos, mesmo quando resistidos pela vontade.’ ‘Pecado é nossa natureza maligna herdada e todos os seus frutos.’12

“Herdamos a culpa de Adão.”13

“Então, [o homem] já permanece condenado nele [em Adão] mesmo antes de cometer pecados por si próprio.”14


Colhendo conclusões errôneas

Tal equívoco, no diagnóstico da doença espiritual – o pecado -, certamente conduzirá a subseqüentes conclusões errôneas. Se aceitarmos um equivocado diagnóstico da doença, como se administraria o remédio acertado? Quando o homem deixaria de ser culpado perante Deus? Tão somente após ter-lhe sido removida a sua natureza humana – fonte dos maus desejos, más tendências e inclinações ao mal. Como ela será removida apenas no dia da volta de Jesus, todos nós haveríamos de viver em constante estado de pecado e de culpa.

Ficaria, dessa maneira, inteiramente descartada a possibilidade de os homens, nesta vida, serem ‘ perfeitos como perfeito é vosso Pai celeste’ (Mateus 5.48), pois estariam sempre à mercê da culpa, oriunda de suas tendências ao mal, desejos e pensamentos pecaminosos.

Continuariam sendo sempre joguetes nas mãos do inimigo. E eles nem mesmo deveriam almejar atingir a ausência de pecado, a perfeição de caráter. Não deveriam nem mesmo sonhar em vencer toda e qualquer tentação ao pecado, não incorrendo, pois, em culpa!

O crente – mesmo após ter aceitado a Jesus como Salvador – estaria ainda numa posição confessadamente constrangedora: continuaria ainda satisfazendo a perversa vontade de Satanás, sendo-lhe ainda um servo. Sem a mínima esperança de vitória, alegaria ser ‘servo de Cristo’, mas permaneceria – por toda a vida – como ‘servo do inimigo’. “Não sabeis que daquele a quem vos ofereceis como servos para obediência, desse mesmo a quem obedeceis sois servos …?“ (Romanos 6.16).

Se a nossa natureza humana fosse mesmo pecado, estaríamos diante de um pecado impossível de ser erradicado de nossa vida! Pode? O cristão diria que ‘ é para guardar os mandamentos de Deus’, mas ele mesmo estaria convicto de que seria uma realização supostamente impossível. E qualquer esperança ou tentativa de obtenção de perfeição moral passariam a ser qualificadas como legalismo, indigesto perfeccionismo, uma negação da Justiça pela Fé.

Mas, de acordo com Mateus 25.4, é possível ter ‘óleo na vasilha’, i. é, a perfeição moral é possível! Pergunta-se, então: Da mente de quem procedeu a afirmação de que ela é impossível? Quem está por trás desse ensinamento de que, obrigatoriamente, deveríamos ‘ pecar e pedir perdão … pecar e pedir perdão’, interminavelmente?

O que significariam as palavras de Jesus, em João 8.36: “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres”? Com essas Suas Palavras, o Senhor nos estimula, a esperar que, pela Sua graça, pelo Seu divino poder, nos seja possível obter completa e perfeita vitória sobre as tentações, o mal, o ego.15

Na realidade, para os adeptos da doutrina de que o pecado é nossa natureza, a Justiça pela Fé não passaria de uma capa para encobrir o pecado não erradicado de suas vidas. ‘Como poderíamos erradicar a nossa natureza humana inclinada ao mal?’ Realmente, é um feito impossível de ser realizado nessa vida!

Observe, agora, como esses consideram que a perfeição moral seria não somente impossível, mas também desnecessária, em razão de nos ser creditada [imputada] a vitória de Cristo:

“Olhando para o trabalho vicário de Cristo, podemos gritar triunfantemente, ‘Nós vencemos!’ Imagine um rio tempestuoso que devemos passar a fim de sermos salvos. A traiçoeira torrente impetuosa bate nas rochas mortíferas e desafia qualquer esperança de a atravessarmos a nado. Então vem um poderoso atleta que toma o nosso partido sobre si próprio. Ele mergulha e luta para chegar à outra margem. Às vezes parece que certamente vai sucumbir nas águas borbulhantes e rochosas. Finalmente, ele se ergue no barranco do outro lado e levanta seu braço numa saudação de vitória.

“Agora Cristo não é como alguém que fica do outro lado e grita, ‘ Eu mostrei a vocês como fazê-lo. Agora mergulhem e façam como Eu fiz.’16 Quando Ele cruzou o rio da morte e da destruição, nós estávamos Nele, e Ele carregou a humanidade nEle mesmo. Nós triunfamos Nele. Isso é o evangelho.”17

E, assim, ensina-se que, pelo fato de nos ser imputada [creditada] a vitória de Cristo, ficaríamos dispensados de, pela graça [favor e poder de Deus], obtermos também nós a vitória sobre o nosso ego! Por não ter sido egoísta, Jesus aprovaria que os cristãos vivessem egoisticamente?!

Seria, por acaso, possível ser feliz e egoísta, simultaneamente? Os adeptos desse errôneo ensinamento supõem mesmo que a completa vitória sobre o nosso ego seria não apenas impossível, mas também desnecessária!

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CategoriasDoutrina, Religião
  1. 20 Outubro, 2009 às 12:08 pm | #1

    Um excelente estudo, aprendi um pouco mais aqui. Obrigado!

    Paz do Senhor!

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